às companheiras e companheiros
desaparecidos
Sai
pelas ruas
(com) passo
mórbido
e anda
no meio fio
em corrupio.
Grita
em praça pública
estranho linguajar.
Pula na avenida
perde-se na esquina
e procura nas vielas
(à sombra da história)
sem memória
sem destino.
Evola-se
Vagueia
a esmo
Sonâmbulo
da morte
Despedaçado
coração
Ferido
corpo.
Não encontra
abrigo
nem luzes
nem cortes
nem marcas
........
Desaparecido
Desaparecida
espantoso pranto
embargada voz
o brilho
nos olhos
a paixão
na fala
a força
da volta
com tudo.
Contudo,
permanece
a luta
para recolher
a semente
plantada
e refazer
a memória
de sua
passagem
na história
agosto, 95