Eu preciso do voo de um pássaro qualquer
para enviar um poema a Ferreira Gullar, em
Buenos Aires.
Preciso do voo e do canto.
Preciso dessa chuva imensa que cobriu os
vales e destruiu árvores e canaviais,
Preciso da manhã de um sol fraterno
para seguir com o poema à Ferreira Gullar.
A um poeta se deve escrever coisas e enviar chuvas,
tempestades, sol e pássaros.
Ainda mais quando esse poeta se chama Ferreira
Gullar.
Ainda mais quando ele não tem direitos, não tem
nenhum direito.
Senão o de amar a vida e enriquecê-la com seu
canto.