Canto do cárcere, num último adeus

Juliano Homem de Oliveira

Aos camaradas e amigos, companheiros e companheiras, mortos e desaparecidos

Onde ficou o Rio de Janeiro
Que Chico e Noel cantaram.
Não posso esquecer de centenas
Que cantaram, amaram, sonharam,
Olhando para o instante das últimas despedidas,
Do último adeus.

Como poderás inventar uma paz
Que concorda sem se lembrar.
Onde encontrarás a memória perdida, Entre o susto e um pobre começar,
Para encontrar risada, sofrendo,
Mirando, tão terrível, o último adeus.

Querida, o céu não pode ajudar
Para apagar o mal da verdade,
E, embora minha terra esteja longe,
Sua dor me bate num tom marcial
E ocorre-me pensar que eu não posso chorar.

Porque chorar só leva a lamentar
E à calma nostalgia por aqueles que não são, nem estão.
E com o tempo a memória torna tudo morto
E, então, você vai perguntar:
Onde estão os culpados letais,
Olhando para o fantasma do último adeus.

Quero juntar minha canção ao seu canto,
Em uma história que ainda está por vir,
Onde aquele choro cubra-se
Com seu manto de ferro e, em seguida, lembre-se
Daqueles que amaram, cantaram, sonharam,
Tendo vergonha de assistir o fantasma do último adeus.

Ai Brasil, salva a minha a fé
Que canta com tua terra e sua voz.
Eu não posso ajudar, mas me levantar
Para o meu tempo,
Com sua música, com o meu amor,
Com a esperança, a força, a resistência,
Que vivo em ti.

E se outro tempo, sedento de ódio,
Outra vez, volta a invadir o amor,
Eu, que amo a retomada, anuncio:
Nunca te esqueças de que existe no Caribe,
E espero que você encontre,
Um verde, uma justiça, a esperar
Aqueles que amaram, cantara, sonharam,
Olhando para a beleza das últimas despedidas.

Juliano Siqueira, 1973

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