abjura
nº 5
Minha ideia não atura
mais embuste e impostura
arrenega e esconjura
tudo que termina em ura
Não acredito na cura
na sutura, na atadura
Não creio na benzedura
nem me fio em ferradura
Não acredito na jura
Não me iludo com lisura
Não aceito assinatura
e não leio as Escritura
A ciência é uma aventura
Religião, conjectura
Política é peta pura
e a arte uma loucura
Chega de literatura
de estrutura, de urdidura
cesura e nomenclatura
Isso tudo é uma frescura
Decidindo de cultura
só se vê cavalgadura
Quem lança candidatura
o que quer é sinecura
!Não me venha com figura
!Sai pra lá com formosura
Catadura de bravura
não quero nem ver pintura
Qual azar nem jetatura
!ventura nem desventura
Me rio da acupuntura
e de só comer verdura
Não sei o que é fartura
doçura de rapadura
Minha boca se satura
só do gosto da amargura
Proibiu-se-me a leitura
Já nem posso ver gravura
Minha esperança futura
é uma treva bem escura
Tenho horror de ditadura
de censura, de tortura
captura e de clausura
!Vou fugir da viatura
"Pela rua da amargura
"Água fria na fervura
"Não há bem que sempre dura
"nem mal que sempre se atura
Se me levam no cambura
!nem mandado de soltura
Eu, hem! Quem veste armadura
tem bem mais musculatura
Acho graça em abertura
Me faz rir a linha dura
sucessão na prefeitura
pela primogenitura
Fico longe de conjura
!Fora com a compostura
...Nem me importo com mesura
!Vade retro, conjuntura
Não há nada nesta altura
que se salve da mistura
A mentira é o que perdura
A verdade não se apura
Glauco Ma77oso