Que fazer deste tédio
que se apodera de mim?
Me abandono na cama...
Pouco a pouco
o ambiente está tenso.
Meus pensamentos se cruzam
e uma insatisfação enorme
invade meu mundo.
Não quero falar
tampouco ouvir ruido algum.
Uma sirene toca incessante...
Tudo ao redor me incomoda,
angustia.
Escrevo, para aliviar.
Agora, silêncio.
O tédio insiste.
Quero sair pelas ruas,
na madrugada,
correr o perigo das noites.
Desprender-me do ninho protetor,
arriscar-me,
e tentar satisfazer meus instintos
frágeis e confusos.
Por quê?
Sou irreal neste instante,
sou consumido pelas dúvidas.
Quisera libertar-me
da persistência absurda,
da paz imaginária,
das aparências mentirosas,
e diluir meu tédio.
Para fugir,
recorro à fantasia.
Me vejo sonhando
um pesadelo cruel.
Sou torpe comigo
me mato consciente.