Puseram-me contra o muro.
Disseram três vezes: – Foge.
Eu disse: – A morte é uma fábula
e eu fico além morte e muro.
Três vezes sobre o meu peito
escreveram: cão, infame.
Eu disse: – Amados, a luz
de vossos olhos me salva.
Três vezes fui à fogueira,
queimaram meu coração.
Ainda assim, eu disse: – Vinde,
amados. Meu corpo é manso
como esta pobre canção.
Comentário do pesquisador
Poema publicado na seção "Cartas do Leitor" da Revista "Malasartes" Nº 3 (abril/maio/junho 1976).