Poema da morte viva

Maciel de Aguiar

POEMA DA MORTE VIVA

 

 

     Para os que levam a vida
     carregando uma causa perdida.

     Mortos, são sepultados sem direito à cruz.

 

 

A palavra está sufocada

num peito em brasa,

ardendo em chamas,

mas não está morta.

A esperança está perdida, 

pelos escombros,

pelos esconsos,

mas não está morta.

A dignidade foi revogada,

partida ao meio,

levada a cabo,

mas não está morta.

A justiça foi esquecida

na cabeça do juiz,

dentro dos tribunais,

mas não está morta.

A felicidade foi proibida

em cada casa,

em cada pessoa,

mas não está morta.

A verdade está escondida

sob sete chaves,

como um mistério,

mas não está morta.

A poesia está censurada,

afugentada dos livros,

banida das ruas,

mas não está morta.

A inquietação foi dominada

pela força das armas,

pelo abuso de poder,

mas não está morta.

A cidadania foi reprimida

em cada corpo,

em cada coração,

mas não está morta.

A felicidade foi esquecida

da lembrança dos velhos,

do peito dos moços,

mas não está morta.

A Nação foi possuída,

abafada na dor,

afogada no martírio,

mas não está morta.

A Liberdade foi tolhida,

proibida nas ruas,

afugentada deste tempo,

mas não está morta.

Até a morte está viva… 

 

 

Rio de Janeiro, 10.6.74

 

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