Os dias passam iguais
desfilando diante de mim
em solene passeata
Os homens morrem iguais
morrendo diante de mim
a mesma morte por dentro
E eu sangro.
Sangro nos olhos vazados
pelo sarcasmo dos que riem
Sangro nas mãos cortadas
pelo gozo dos que não trabalham
Sangro na língua arrancada
pela covardia dos que não dizem
Apunhalaram-me de frente
porque prá frente andava
passo por passo
Trago um punhal no peito
e sangro.
Sangro lágrimas
Sangro náuseas
SP, março 67