NOS DIAS NAS NOITES NOS MINUTOS
nas gretas e nas fendas armo
a voragem engatilhada na língua
dos desaparecidos
nas couraças e nas carrancas procrio
meus fôlegos meus soluços
meus arrotos
nos pinéis da noite rasgo
minha solidão
sem bagagem
meu passaporte sem validade
na máquina de moer carne do tempo trituro
o que resta na mesa
de nodoso
nos 110 milhões de sóis apagados deposito
minha esperança
de nova luz