não quero
a ditadura das virgens
os dois orgasmos de toda noite
o branco, o preto
todas as raças deste oriente
da boca do lixo
do ocidente do baixo mundo
a força da raça
o incêndio das orquídeas
a amarela fatalidade
dos girassóis
a veemência dos suicidas
a coronhada que levei na cabeça
a fome e a sede (nas ruas)
que se tem de vitória
o homem do poder, o poder, a mulher
do poder, a má trepada
a porrada
que levei na barriga
a cidade, todos que nela disputam
o amargo de cada boca
a poesia, quem dela se ocupa
a falta de compostura
nas inaugurações
qualquer inauguração
todo compostura
brochações, cara branca
a lei do ventre cheio
a teoria da rivalidade
toda alínea que trata
da liberdade que todos têm
de meter o bedelho
onde não são chamados
o grito de dor
o horror
que o grito de dor
provoca
em quem sente a imprópria dor
a navalha aberta (quando
se volta pra casa)
o difícil ofício da alegria
os 28 anos de exercícios
relativamente forçados
toda pessoa que não me ama
todas as noites solitárias