Em laboratórios
em sótãos porões
nos seus escritórios
fábricas galpões
à luz dos holofotes
velas lampiões
candelabros lustres
em mangas de camisa ou de
casacas pretas
várias legiões
de poetas
ilustres
modernas versões
sutis
de alquimistas
com gestos febris
remexem combinam
suas bases seus ácidos
seus sonhos seus sais
buscam suas pistas.
Serenos e plácidos
silentes e graves
com passos medidos
polidos suaves
destilam seus mitos
seus rumos seu pranto
constroem seus ritos
estudam seus temas
gritam os seus gritos
resolvem resolvem
seus velhos problemas
semeiam seu canto
carregam sua luz
caindo na pura
brancura
das páginas
mundos construídos
com vestes verbais
estranhos poemas
se tornam reais.
E apaziguados
no inverno ou no outono
os poetas alados
investem invadem
subjugam conquistam
a larga província
secreta do sono.