COVA 1.106
SAIS DE um tempo em que é belo ser covarde
e mergulhas na morte como em grandes águas sacras.
Livre por fim, destruidor das coisas velhas.
Tinhas a tua própria morte reservada
que te selasse os lábios no momento da dor.
Como se ousa dizer que não foste um herói?
Quem daria sua vida num tempo de impotências?
Indigente da cova rasa, moribundo da rua,
morto de qualquer terra, quem te deu sepultura?
Quando ressurgirás de entre os mortos, cerrando
as escuras fileiras dos rebeldes vencidos?