Bate o relógio-ponto... e pronto.
volta pra casa bem tonto
pra se aturar com a família
bebe o arranhão na mobília
traça o desgosto, essa trilha
que sempre dá o capacho.
Chuta o despacho na esquina
xinga o rapaz e a menina
que voam soltos, sem hora
odeia quem se namora
quem ama sem compromisso
com fama, dor ou dinheiro.
Você não tem culpa disso
apenas deu sua vida
em troca de um carro novo.
Você deixou seus amigos
se acovardou, fez as malas
e rastejou seu roteiro.
Agora aguenta o repuxo
prepara bem o seu bucho
pra fome eterna dos corvos.
Você não tem mais descanso
vive entre o esporro e o ranço
dos que lhe dão "segurança".
Ah! funcionável, que pena
a marcha-ré que se engrena
no seu penar morto-vivo
dá um tom tão triste ao poema
como à ferida a gangrena
como ao cativo a corrente.
Para! Não funciona esse corpo
essa cabeça, essa febre
pras ilusões do "sistema".
Vira, me compreende, me escuta
ferve esse sangue, desperta
me aperta as mãos, se arrepende!