ANO NOVO
janeiro nasce agora
como nasce um ovo,
frágil.
não sei o que fazer
da poesia que me traga,
corrompe o ventre
da esperança.
o que fazer
do cartão de ponto
que perfura o peito
toda manhã, costura largo
o coração.
o que fazer da voz
do desconhecido
que ilude o povo
espanta os pássaros
nomeia carrascos.
não sei o que fazer da política!
sei que janeiro nasce agora
como nasceu um ovo,
frágil.
uma esquina sentinelada
pesa chumbo
nas costas.