O tempo das palavras terminou.
Agora as nossas vidas estão salvas.
Calados, somos nada e somos tudo.
Indo pela Avenida entre os cartazes
e o rumor e o fedor da multidão
já nem mesmo gaguejo ou faço gestos
(dispenso o imperfeito e o desconexo),
Quem fala não diz nada, quando diz.
Quem cala não consente e clama tudo.
Hoje falo o que sou porque sou mudo.