O NOVO
UM DIA amanhecemos num planeta envelhecido,
onde o ar sujo confinava com os mares espessos
e o grito não se propagava.
Olhamos ao redor por entre as folhas amarelas:
os pássaros voavam à procura de outras árvores
e o seu canto de adeus era frágil como vidro.
Limpamos um ao outro o rosto cheio de fumaça
e vimos que faltava a luz dos olhos.
Limas quentes de sol viviam na lembrança
mas sua cor já não iluminava
nem laranjas cortadas refletiam a vida,
nem nossa face merecia o espaço azul.
Depois choramos e as lágrimas nos lavaram o rosto.
Um pequeno animal se levantou do chão todo detrito
e caminhou conosco a ver o Novo.
E assim vamos, tentando
cantar como os soldados que regressam
das batalhas perdidas…